quarta-feira, outubro 21, 2009

Blast From The Past #1



The Black Crowes - Amorica
Os Black Crowes (BC) são uma banda norte-americana originária de Atlanta (Geórgia) que conheço há já alguns anitos e da qual apenas detinha o álbum Greatest Hits (2000), do qual sempre gostei muito. Mas foi apenas recentemente que o interesse em explorar a sua discografia surgiu, sendo este "Amorica" (1994) a primeira verdadeira incursão pelo trabalho de uma banda que penso que não terá tido a atenção que merece.

Eventualmente vítimas de uma sonoridade que não é óbvia para o ar do tempo dominante, e talvez não o fosse já em 1994, este álbum tem muito mais valor do que aquele que as tabelas de vendas reflectiram, pois a controvérsia gerada nos EUA, pela capa que aqui vemos, possivelmente terá desviado as atenções da musica contida na obra. Falo sem ter termo comparativo pois como disse é o primeiro álbum da banda que ouvi por completo não tendo por isso grandes referências dos álbuns anteriores, a não ser as conhecidas da compilação atrás mencionada.

Quanto ao álbum, é um puro álbum rock que mete vários elementos de blues, soul, country e especialmente do "Southern Rock", que lhe confere a marca distintiva da banda. Temas como "A Conspiracy" e "Gone" abrem o álbum de uma forma enérgica que apenas voltamos a encontrar no álbum em "She Gave Good Sunflower" embora de uma forma menos declarada, pois este tema é um dos pontos mais altos do álbum e mistura vários géneros. O outro ponto alto é "Wiser Time" havendo depois lugar a exercícios que se podem considerar mais experimentais, se levarmos em consideração a matriz rock da banda. "P.25 London" a mexer um pouco com funk e "Downtown Money Waster" dão mais cor ao álbum e acabam por ser interessantes, mas fogem um pouco à coesão do todo. "High Head Blues" pisca o olho aos blues (e não é só pelo título), enquanto que "Ballad In Urgency" o já mencionado "Wiser Time" e "Nonfiction", metem blues com country e uma pitada de soul, tudo envolto numa capa de rock.

Em suma, temos aqui um sólido álbum de rock, e para quem gosta do género e é fã do rock dos anos 70 (incluíndo Lynyrd Skynyrd) pode ser uma valiosa adição à sua biblioteca de música. Para mim foi uma revelação. Até admito que achem este som um pouco enfadonho ou datado, mas para quem não vive ao sabor das modas e do já referido "ar do tempo", e genuinamente aprecia a música pela música (especialmente se for uma alma mais "rockeira") só pode considerar "Amorica" um belo álbum Rock!

Fiquem com o vídeo de "Wiser Time", que quanto a mim, não faz justiça à música. A qualidade do som também não é grande coisa, mas foi o melhor que encontrei.


terça-feira, outubro 20, 2009

Novo Lançamento #3


Dave Matthews Band - Big Whiskey and the Groo Grux King
Big Whiskey And The Groo Grux King (BW) é o mais recente trabalho da Dave Matthews Band (DMB), e o primeiro após o inesperado desaparecimento do membro fundador e saxofonista Leroi Moore no Verão de 2008. A sua presença ainda se faz sentir em alguns momentos do álbum, especialmente na faixa inicial, mas quanto a mim a sua presença nota-se pela sua ausência. À falta do seu saxofonista original a banda esforçou-se por não fazer desaparecer os instrumentos de sopro do seu reportório, e esse esforço transparece, por vezes excessivamente mas sem afectar o (muito) trabalho investido neste último álbum.

Não sei o que diz a crítica nesta altura, mas eu só posso afirmar que este é o trabalho da DMB  no século XXI. De todos os álbuns de originais que a banda lançou nesta década este é o trabalho que se afirma como o mais criativo, equilibrado e completo, incorporando a corrente criativa que influenciou a banda nos seus anos iniciais até "Before These Crowded Streets", e também a (excessiva) produção musical que pautou o som da banda nos três trabalhos anteriores, especialmente "Stand Up" e "Everyday".

Neste último trabalho temos aqui um regresso às raízes iniciais da banda , juntamente com o acumular de experiência musical e também de vida. Atingiu-se um equilíbrio musical entre a escrita e produção musical que já não se ouvia desde "Crash", uma vez que a partir daí a banda seguiu um trajecto de uma cada vez maior produção sonora que atingiu o seu pico em "Stand Up".

Mas em Groo Grux a DMB voltou a presentear-nos com verdadeiras pérolas musicais ao nível do portentoso "Crash", embora em menor quantidade. Temas como o single "Funny The Way It Is", "Dive In", "Spaceman" ou a surpreendente faixa de bónus "Write a Song" (um verdadeiro hino à boa onda musical), conferem ao álbum a solidez e criatividade musical que se espera de um grande álbum. Outros temas acabam por ser mais melosos ("You & Me", "Lying In the Hands of God") e outros a revelarem uma maior preocupação ao nível da produção e a incorporarem mais guitarra eléctrica, sendo a presença desta a marca mais distintiva entre os álbuns  da década de 90 e  da actual, fazendo assim a ponte entre as duas fases ( "Why I Am", "Alligator Pie", e especialmente "Seven")

No geral posso afirmar que não sendo o melhor álbum de originais da DMB, é claramente o melhor e mais bem conseguido trabalho dos últimos dez anos da banda, revelando consistência e uma muito maior maturidade artística que anteriormente.


Fiquem com o vídeo da obra prima que é "Funny The Way It Is",também ele uma obra-prima. Simples e eficaz.



domingo, outubro 04, 2009

Novo Lançamento #2


Muse - The Resistance
Novo álbum dos Muse nas bancas há já algumas semanas. Esta é uma das bandas mais empolgantes da actualidade na cena rock/metal/pop/nãoseibemcomoclassificarestesgajos.

Apareceram assim como quem não quer a coisa com o álbum "Showbiz" (que é excelente), mas explodiram verdadeiramente com "Origin of Simmetry", ficando logo à vista que estaríamos perante um trio de excepcional criatividade e sem medo de experimentar. E neste "The Resistance" fartaram-se de experimentar!

Matthew Bellamy teve neste álbum "The Resistance" campo aberto para experiências, e assumiu a tendência para a grandeza e para os grandes temas que lhe é característica e que encontra o eco perfeito nos concertos em larga escala, tendência bem visível em temas como "United States of Eurasia / Collateral Damage", "Uprising" e em menor escala "MK Ultra", já para não mencionar a trilogia épica "Exogenesis:".Isto dá ao álbum um ambiente muito Orwelliano, de luta individual contra as forças e os interesses de uma sociedade maior que o indivíduo. Indivíduo esse que está visivelmente apaixonado. "Resistance", "Mon Coeur S'ouvre a Ta Voix", sendo esta última uma fantástica e espectacular explosão criativa com vários tempos e assimétrica na sua estrutura, algo de que gosto muito.

Os Muse são uma banda que ao longo do tempo, e com cada álbum demonstraram sempre algum tipo de evolução, nunca se repetindo muito no estilo. Já vimos várias influências, desde Radiohead a Jeff Buckley e Metallica, sem esquecer Queen (especialmente nestes últimos álbuns), que são francamente homenageados em "United States of Eurasia". Este último "The Resistance" mistura tudo e atira para a frente a sólida formação e influência clássica de Bellamy, que sem vergonha ou pudor de qualquer tipo torna os Muse numa banda quase experimental, ou se quiserem até híbrida entre o Pop/Rock e a Ópera-Rock.

O resultado final, poderá não ser tão consensual, e quanto a mim, não será tão bom e completo quanto foi "Black Holes & Revelations", no entanto é um álbum marcante e algo diferente do que as bandas mainstream tradicionais estão habituadas a lançar, demonstrando uma garra e uma criatividade que não estão ao alcance de muitas bandas da actualidade. E estou particularmente empolgado com o tipo de concerto que nos espera a 29 de Novembro no Pavilhão Atlântico.

Recomenda-se.

sábado, outubro 03, 2009

Novo Lançamento #1


Pearl Jam - Backspacer
Os Pearl Jam lançaram um novo álbum de originais, o nono de uma sequência que começou em 1991 com o incontornável Ten. Este último, chamado Backspacer em honra a uma tartaruga apadrinhada pelos PJ. Backspacer vem confirmar a tendência para um rock mais simplificado da parte dos PJ que data desde o último álbum homónimo de 2006.

Passadas as experiências que culminaram em Riot Act com os PJ a passarem claramente por algum tipo de crise de identidade (apesar de no geral o álbum ter qualidade), decidiram simplificar a coisa substancialmente, e o que vimos em Pearl Jam é agora reforçado em Backspacer. Músicas como "The Fixer", "Johnny Guitar" ou "Supersonic" não escondem as influências punk rock que marcam esta década de PJ (desde Binaural - 2000) e afastam decididamente a imagem de grunge mais pesado que acompanhou a banda na década de 90, afastando-a ainda mais da sonoridade de uns Soudgarden e Alice In Chains, sonoridade essa que nunca foi realmente a dos PJ.

Não, de facto este álbum, na minha opinião, marca uma tendência mais no sentido de tornar os Pearl Jam como a verdadeira "All American Band" (as vendas têm correspondido e confirmado esta ideia), e não como uma banda de protesto como muitas vezes se tentou afirmar (desde as batalhas legais com a Ticketmaster, até ao cunho marcadamente político e anti-Bush patente no já citado Riot Act). Esta tendência de identificação com o americano médio foi já ensaida em 2006 com o tema "Unemployable", e é reforçada agora com temas como "Amongst the Waves", "Speed of Sound", "The End", "Just Breathe" e "Unthought Known", temas aliás que não escondem a marca de Eddie Vedder, e com uma clara influência da experiência deste último como compositor da banda sonora do filme "Into the Wild". Aliás, a maioria destes temas que citei poderiam constar dessa mesma banda sonora, sem destoar. Quanto ao resto do álbum,e  como já foi referido aqui, assenta a sua estrutura numa maior influência Punk-Rock com temas mais curtos, sendo "The Fixer" o tema mais festivo e "Got Some" o mais intenso e do qual gosto particularmente, e que penso que irá resultar especialmente bem nas actuações em palco.

Esta fase dos Pearl Jam poderá ser vista por alguns como menos criativa ou artisticamente menos enriquecedora, mas como tudo na vida, é natural as bandas evoluírem tal como evoluem as vidas pessoais dos seus membros, sendo estes agora um grupo de quarentões com filhos, e no geral, pelo menos aparentemente, de bem com a vida, não sendo de desprezar o optimismo que acompanha a Obamania nos EUA. Isso tudo está presente neste álbum, e que não sendo o mais ambicioso artisticamente dos PJ, é talvez o mais optimista e boa onda até agora.

E isso é bom, e os fãs (como eu!) agradecem!!